Artesanato - Revista TAP Portugal

Feira do Empreendedor - Sebrae (DF)

Filigrana entre os Top 100 de Artesanato

Data: sábado, 2 de fevereiro de 2002
Veículo: Correio Braziliense

Coluna: Coisas da Vida
Cascas de árvores, folhas, carrapichos, sementes de andiroba e jacarandá se transformam em brincos e pingentes. As flores da região inspiram as cores usadas na produção das peças de cerâmica
Tina Evaristo
Da equipe do Correio

Uma musa chamada cerrado

     O cerrado é o tema preferido dos artistas que fazem artesanato tipicamente brasiliense. As flores secas viram arranjos, as cascas grossas das árvores tortas se transformam em vasos de planta e as frutas e sementes estão nas mais diversas decorações. É na natureza que Tânia Helou, 24 anos de Brasília, busca inspiração para seu trabalho. Nas mãos dela, o cerrado vira semi-jóia.

     Desde agosto de 2000, Tânia transforma folhas, carrapicho e sementes em pingentes e brincos banhados a ouro, que levam a marca Filigrana do Cerrado. "Quando comecei, dei tiros para todos os lados. Pensei em dar banho de ouro em celulares e logotipos de carro. Mas resolvi testar na moeda, uma folha do cerrado, e gostei do resultado", conta. Da moeda, ela evolui para as sementes de andiroba e jacarandá, a canela-de-ema e o chapéu-de-Napoleão, entre outras espécies.

     A varanda do apartamento foi transformada em laboratório para as experiências de Tânia. O marido, Edênio de Paula, também se interessou pela atividade e deixou de dar aulas de violão. Agora ele divide o trabalho com a mulher. No início, o equipamento utilizado tinha capacidade para apenas dois litros de água e produtos químicos. "Na parte da folheação, as peças eram feitas uma a uma. Demorava bastante", lembra. Tânia pediu um microcrédito de R$ 2mil ao banco Regional de Brasília(BRB) e aumentou a capacidade para dez litros. Hoje, o casal consegue fazer até dez peças de uma vez. Um par de brincos de carrapicho custa R$41, os de semente de andiroba, R$44, e o pingente de folha moeda, R$32. Por semana, eles produzem 200 peças, mas planejam nova expansão do negócio.

     "Conto receber uns R$10 mil em financiamento do BRB. Quero investir R$25 mil e elevar a capacidade para 30 litros. Assim, conseguirei folhear até 30 peças de uma vez", diz. Com o aumento da produção, o laboratório irá para uma área comercial da Asa Norte e a Filigrana do Cerrado passará a gerar emprego. O casal pretende contratar e treinar dois ajudantes. "O trabalho cresceu absurdamente. Estamos felizes, mas não conseguiremos fazer tudo sozinhos", avalia. No final do ano, por causa do Natal, Tânia e Edênio chegaram a trabalhar das 7h às 2h, "Nosso faturamento está em aproximadamente R$4mil por mês Planejamos otimizar a produção para exportar", conta.
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