Artesanato - Revista TAP Portugal

Feira do Empreendedor - Sebrae (DF)

Filigrana entre os Top 100 de Artesanato

Data: quinta-feira, 10 de julho de 2003
Veículo: Ebrasil.com

Página 62
Luciana Amaral - economia.com

Driblando a crise

Juros altos, recessão e linhas de crédito pouco atraentes. Uma das soluções para sair da crise pode estar no micro-crédito.

MICROCRÉDITO

     Os micro - empreendimentos geradores de renda familiar correspondem a uma parcela ímpar do mercado mundial. A maior parte dos micro - empresários engrossa o caldo dos desempregados e excluídos do sistema bancários tradicional. No Brasil, cerca de 25% da população urbana economicamente ativa está diretamente envolvida nesse tipo de negócio. Para esse grupo de empreendedores existe o chamado micro - crédito, uma das alternativas mais baratas para a geração de emprego e renda.

     Hoje existem mais de 200 programas de micro - crédito no País, com taxas de juros que variam de 1% a 4% ao mês e muita facilidade de acesso aos recursos, já que não são solicitadas as garantias exigidas pelos bancos tradicionais.

     O programa lançado pelo governo no final de junho para inserir pessoas de baixa renda no sistema financeiro é erroneamente denominado micro - crédito, segundo os especialistas. Na verdade, trata-se de um plano de micro - empréstimo voltado apenas para a produção, e não ao consumo. Além disso, existe a figura do agente financeiro, que acompanha e orienta o tomador do empréstimo, a fim de que o empreendimento tenha rentabilidade.

     O CrediTrabalho, voltado ao micro - empreendedor do Distrito Federal, é um exemplo bem sucedido de programa de micro - crédito. Criado no governo Cristovam Buarque, em 1996, a iniciativa permaneceu no governo Roriz realizado nos últimos cinco anos 6.625 operações, com mais de 16 milhões em recursos aplicados. Para ter acesso ao CrediTrabalho é necessário morar no DF há mais de três anos, exercer a atividade há mais de seis meses, não Ter restrição cadastral, Ter um avalista sem restrição cadastral e participar do treinamento gerencial básico. "Nosso programa tem um caráter educativo e os empréstimos variam de R$50 a R$10 mil", explica Cecília Cordeiro, Diretora de Crédito Assistido da Secretaria de Trabalho do DF. "No primeiro pedido de empréstimo, o comitê de crédito aprova valores menores e, à medida que o indivíduo provar que é bom pagador, renovamos sucessivamente os empréstimos com a aprovação de valores maiores".

     Foi o que ocorreu com a empresária Tânia Helou, que fábrica jóias naturais com folhas, frutos e sementes do cerrado. Para aumentar a produção, ela precisava investir em equipamentos e consegui um empréstimo de R$2.000 para pagar em um ano e com carência de três meses. Antes mesmo de um ano ela quitou a dívida e pegou novo empréstimo, desta vez de R$10 mil, para pagar em dois anos. Com o dinheiro, Tânia alugou duas salas, comprou mais três máquinas e ainda instalou uma estação de tratamento de água para retirar os metais pesados gerados no processo de fabricação. Com o crescimento do empreendimento, foi necessária a contratação de três funcionárias.

     Outro beneficiado do CrediTrabalho é William Luzente Paulo, proprietário de um restaurante na Asa Norte. Quando adquiriu o empreendimento, em 1998, William recorreu a empréstimos bancários a juros altíssimos. "Trabalhei para pagar dívidas", conta o empresário. Quando soube da simplicidade e vantagens do programa de micro - crédito do GDF William realizou empréstimo que proporcionaram a compra do espaço que antes era alugado e a modernização do mesmo. O restaurante vendia cerca de 25 refeições por dia e, em cinco anos, ampliou o negócio para 40 refeições. "às vezes, com apenas R$3.000 voc6e consegue fazer maravilhas com o seu empreendimento", afirma. "Se tivesse dependido dos bancos, dificilmente chegaria até aqui", desabafa.
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